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As explicações para o terremoto na China

 

18.05.2008 - Esta semana, um terremoto na China deixou 32 mil mortos e 220 mil feridos. Como é que os cientistas explicam a fúria da natureza?

Não é hora de festa e a chama olímpica vai adormecer. O revezamento da tocha será suspenso por três dias. Luto oficial na China, tempo de chorar os mortos. 

Mas, em meio às ruínas, a vida resiste com uma força surpreendente. Na barriga da mãe, um sobrevivente que ainda vai nascer e se juntar a outras crianças que escaparam do terremoto. Um bebê passou horas nos escombros protegido pelos braços da avó, que morreu.

A turma de heróis do jardim da infância foi tão valente quanto à senhora Qin Zhengxiu. Em 95 anos de vida, ela nunca tinha sentido a terra tremer. Às 14h28 da última segunda-feira a natureza mostrou sua força.

Você já viu no Fantástico: o planeta é como um ovo cozido, que fica com a casca trincada sem se soltar. Assim é a crosta terrestre, formada por placas tectônicas que ficam encostadas umas às outras, em um eterno processo de acomodação. É a pressão entre essas placas que provoca os terremotos.

O sul da China fica próximo ao encontro de duas placas continentais e por isso é vulnerável a tremores fortes.

Cálculos recentes indicam que o terremoto de segunda-feira atingiu oito pontos na escala Richter. Teve seu epicentro na província de Sichuan e reverberou com efeitos devastadores ao longo de uma fissura geológica de 250 quilômetros de extensão. Nos últimos dias, mais de quatro mil tremores secundários foram sentidos na região.

A China não é um país assim tão acostumado a terremotos. O último que causou destruição tinha sido há 32 anos. Agora a maior população do planeta precisa aprender a recomeçar e reconstruir a vida de cinco milhões de desabrigados.

Há brasileiros na província de Sichuan, a região mais atingida. Faz 15 dias que Vanderlei se mudou para o 13º andar. “No segundo dia eu vim aqui pegar umas roupas, sentei no sofá tentei ligar para minha esposa. Aí o prédio sacudiu de novo. Aí eu larguei o telefone e corri o mundo”, conta Vanderlei Soares, técnico em calçados.

Depois do susto, Vanderlei se juntou aos amigos brasileiros para ser voluntário e ajudar as vítimas da tragédia. Agora eles vão organizar a distribuição das doações. Vão conhecer o nome e o rosto de pessoas tratadas como números da tragédia.

“Minha família, fique tranqüila. Eu estou bem e de tão bem que eu estou, com isso, estou conseguindo ajudar algumas pessoas que precisam aqui na China”, diz Sandro Machado, técnico em calçados.

Os chineses agradecem a solidariedade de brasileiros que cruzaram o mundo para aprender que a vida pode mudar em poucos segundos.

“Meu primeiro terremoto e espero que seja o último”, comenta Vanderlei.
fonte: fantastico.globo.com